segunda-feira, 30 de março de 2015

Desconstruindo a construção

Conversa entre o verso e a frente,
visse e versa,
água-viva e o oceano de aguardente.
 
Conversa entre o perdedor e o troféu,
tempo fechado,
o céu dessa boca já foi estrelado.

Conversa entre deus e o fiel,
o ateu e o diabo, estado laico.
Conversas e controvérsias.

Conversa fiada ou à prestação
cultura e dinheiro,
valores, contradição.

Conversa entre a cinza e o cinzeiro,
o fígado e pulmão, a luz e a cidade.
Amnésia e aflição, é fuga da saudade.





segunda-feira, 23 de março de 2015

Ser

Silêncio e incensos, fumaça e cinzeiro.
Penso logo existo, livre num cativeiro,
danço e ainda insisto, um pisco para o infinito,
manso na imensidão dentro de certos ditos.

Devaneios e infortúnios, delírios e desdem.
O brilho do dia que não veio para o frio que já vem.

Torno-me ferrugem e a chuva nem me molha,
torno-me secura e voz na garganta se ecoa,
torno-me abismo quando o abismo me olha.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Vícios do ofício

O horizonte lá no fundo que te come a alma veio lhe buscar,
ora pros teus santos o quanto puder pra ver se esclarece os dias,
sorria pois a neblina chega pra encobrir e te mostrar que a estrada não acaba numa só palavra.
Nada se perde quando nada se ganha, tudo a se arriscar quando a mente se estranha 

Inconscientemente os fragmentos se esvaem, vai e vem reconstruindo um novo argumento
dentro do ser cinzento.
Dúvidas e dívidas se renovam e provam que se reinventar é necessário,
me encho de vazio e me esvazio a tempo de chegar no horário  ...de mudar.

São vícios do ofício,
propício ao acaso,
o erro nos ensina
que o acerto não tem prazo.