segunda-feira, 27 de julho de 2015

Bússola de memórias

De longe eu via o mar olhar pra mim,
a trajetória do destino em rota de colisão,
eu caía, eu caía e o céu via,
eu formava um ponto de interrogação.

Terra de ninguém

Eu fui tirando os meus demônios do bolso,
um a um. Agora sigo só, e persigo miragens,
desato o nó da garganta de meus inimigos,
e abro bem os ouvidos com coragem.
Alguém me soprou de volta pra cá, pra terra de ninguém...

segunda-feira, 30 de março de 2015

Desconstruindo a construção

Conversa entre o verso e a frente,
visse e versa,
água-viva e o oceano de aguardente.
 
Conversa entre o perdedor e o troféu,
tempo fechado,
o céu dessa boca já foi estrelado.

Conversa entre deus e o fiel,
o ateu e o diabo, estado laico.
Conversas e controvérsias.

Conversa fiada ou à prestação
cultura e dinheiro,
valores, contradição.

Conversa entre a cinza e o cinzeiro,
o fígado e pulmão, a luz e a cidade.
Amnésia e aflição, é fuga da saudade.





segunda-feira, 23 de março de 2015

Ser

Silêncio e incensos, fumaça e cinzeiro.
Penso logo existo, livre num cativeiro,
danço e ainda insisto, um pisco para o infinito,
manso na imensidão dentro de certos ditos.

Devaneios e infortúnios, delírios e desdem.
O brilho do dia que não veio para o frio que já vem.

Torno-me ferrugem e a chuva nem me molha,
torno-me secura e voz na garganta se ecoa,
torno-me abismo quando o abismo me olha.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Vícios do ofício

O horizonte lá no fundo que te come a alma veio lhe buscar,
ora pros teus santos o quanto puder pra ver se esclarece os dias,
sorria pois a neblina chega pra encobrir e te mostrar que a estrada não acaba numa só palavra.
Nada se perde quando nada se ganha, tudo a se arriscar quando a mente se estranha 

Inconscientemente os fragmentos se esvaem, vai e vem reconstruindo um novo argumento
dentro do ser cinzento.
Dúvidas e dívidas se renovam e provam que se reinventar é necessário,
me encho de vazio e me esvazio a tempo de chegar no horário  ...de mudar.

São vícios do ofício,
propício ao acaso,
o erro nos ensina
que o acerto não tem prazo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Querer é passageiro

Quereres e querências,
prazeres e aparências,
tudo é carência,
tudo é poder,
e querer não é poder.

Pra sempre é uma mentira,
nunca mais é exagero.
Todo querer passa,
tudo é passageiro.

Tempestade

Talvez seja só o tempo ruim,
falta de sanidade,
a tempestade que me leva pra longe de mim.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A ignorância é uma bênção

Metamorfose de tolices.
Enche a boca pra falar
sobre coisas que desconhece,
disse e não disse.

_ O que disse?

_ Esquece!


Dejà vu

Sombras do passado
não passam por acaso.
Eu que não adianto o meu atraso,
eu passo.

Inércia

Apatia que me guia
nasce sol e morre lua.
Apatia me vigia
entre as ruas dessa vida crua.

Esboços da alma

Esboços da alma,
perdida nas despedidas da vida.
Prematuras chegadas, inseguras partidas.

Até os mares da mente,
Lares, lugares e olhares
que a gente não teve.